* meu livro de receitas *

Meu pé de tomate February 8, 2010

Filed under: histórias, pensamentos & memórias — gabivuolo @ 9:52 pm

As janelas dos quartos aqui em casa tem jardineiras, mas eu nunca dei muita importância pra esse fato. Eu sempre matei todas as plantas que ousei trazer pra casa com a promessa de cuidar, regar e ver florir. Eu me esforcei, mas sempre regava demais ou de menos, e acabei nunca vendo nenhuma delas crescer. Pelo contrário – perdi a conta de quantas samambaias eu matei. E até o cactus (?!) eu tive a proeza de assassinar.

Depois de um tempo, eu acabei desistindo das plantas, mesmo morrendo de vontade de poder plantas coisas que dessem flor e  – quem sabe – temperos pra minha culinária. Comprava um kalanchoe de vez em quando, sabendo que ele ia morrer na semana seguinte. Passei a comprar flores em maço, na feira – assim já comprava sem culpa por ve-las murchar e ter que jogar fora. Conclui que não era feita pras plantas, que devia ser uma pessoa do reino animal mesmo. Dog person, cat person… sabe? Quem é um, não pode ser o outro.

Mas aí, aquelas coisas que acontecem…

A faxineira veio, eu pedi pra ela limpar o mato que insistia em nascer nas jardineiras e saí pra trabalhar. Na volta, encontrei a jardineira do quarto do meu filho limpa. Mas a do meu quarto ainda tinha mato.

– Nilda, e esse mato aqui do meu quarto?

Escuto uma risadona vindo da cozinha…

– Isso aí não é mato não. São 2 pés de tomate.

– Tomate?! Na minha janela?! Mas eu não plantei…

– Algum passarinho deve ter trazido.

Eu passei uns dias sem acreditar naquilo. Até que um biólogo (é, eu tenho um sempre à mão, é super útil) me confirmou:

– É tomate mesmo. Algum passarinho deve ter feito cocô aqui e a semente brotou. Por que você não planta mais coisa?

Eu até tentei explicar que tinha um passado trágico com as plantas, mas diante daquele pé de tomate crescendo forte na minha janela, não tinha como dizer que não.

No dia seguinte, voltei pra casa com quatro vasinhos: manjericão anão, salsinha, alecrim e hortelã. Enfiei a mão na terra, cavei, arranquei umas pedras, raiz velha, sujeira… Transplantei os temperinhos e reguei (provavelmente demais, ainda mais considerando os dilúvios que tem caído em SP nos finais de tarde). Só esqueci que ia embarcar pra uma viagem de uma semana 3 dias depois.

‘Paciência’, pensei. ‘Não vão ser as primeiras plantas que eu vou matar.’

Mas qual não foi minha supresa ao chegar de viagem e encontrar o tomate, o alecrim e o hortelã firmes e fortes na janela?!

Não dá pra ser tudo perfeito… então o manjericão morreu mesmo. Mas a salsinha, que eu encontrei completamente murcha e sem vida na volta da viagem, resolveu dar o ar da graça na semana passada – brotou sozinha de novo, umas folhinhas bebês fofíssimas…

E agora, toda noite, eu dou um beijo de boa noite no meu filho e faço um carinho no meu pé de tomate. Durmo com a janela aberta porque a luz da rua faz uma sombra linda do pé de tomate na parede do quarto. E sonho com o dia em que eu vou poder comer alguma coisa que nasceu na minha janela por livre e espontânea vontade.

 

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